Apresentação

Alfabetização e letramento: dois lados da mesma moeda


O jogo "Cara ou Coroa" consiste em se atirar uma moeda para o alto e, após a queda, verificar qual lado ficou voltado para cima. É frequentemente utilizado para se escolher entre duas alternativas ou para se resolver uma disputa entre duas partes.

Essa ideia nos parece oportuna para ilustrar os movimentos do ensino da língua escrita ao longo do tempo: ora o foco foi colocado em um lado (alfabetização), ora em outro (letramento).

Embora ocupem lugares diferentes e tenham características específicas, letramento e alfabetização são tão indissociáveis quanto cara e coroa. Sem um de seus lados, a moeda deixa de ser moeda, o que equivale a dizer que o ensino da língua escrita deixa de ser ensino da língua escrita.

A compreensão da interdependência da alfabetização e do letramento, considerando as diferentes naturezas que caracterizam cada um desses processos, não é algo trivial nem simples de se colocar em prática.

Aqui você é convidado a conhecer uma experiência que buscou dar contorno às questões envolvidas na aprendizagem inicial da língua escrita. Seu passeio por ela terá a companhia de Magda Soares, professora emérita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) e coordenadora do Núcleo de Alfabetização e Letramento de Lagoa Santa.

Apresentamos o quadro abaixo para expressar o quanto letramento e alfabetização são complementares e inseparáveis no processo de aprendizagem da língua escrita.

 
Aprendizagem inicial da escrita
Aprendizagem inicial da escrita

Glossário Práticas socias de leitura Desenvolvimento psicogenético Conhecimento das letras Consciência fonológica Sistema de escrita alfabético Biblioteca Jogos e atividades Práticas socias de leitura Biblioteca Desenvolvimento psicogenético Conhecimento das letras Consciência fonológica Jogos e atividades Sistema de escrita alfabético Glossário

Letramento

Um lado da moeda


Compreendemos letramento como participação na cultura escrita. Trata-se de um processo que tem início no nascimento, com crianças que nascem em sociedades letradas, e prolonga-se por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas sociais que envolvem a língua escrita.

“Alfabetização e letramento são processos distintos, com bases cognitivas e linguísticas específicas, mas na aprendizagem inicial da língua escrita, eles devem ser contemporâneos: a criança se alfabetiza num contexto de letramento, e se letra ao mesmo tempo se alfabetizando.”

Magda Soares

No Vídeo Alfabetização e Letramento, Magda Soares discorre sobre alguns dos conhecimentos necessários à formação do professor que deseja alfabetizar letrando. Veja, a seguir:

As práticas sociais da leitura como alicerce para a aprendizagem da língua escrita


Imaginemos uma criança que desde a mais tenra idade pôde conviver com pessoas que fazem uso da leitura e da escrita em seu cotidiano e, além disso, teve a oportunidade de ouvir histórias e manusear livros. Agora, imaginemos outra criança a quem essas condições não puderam ser oferecidas. Não é difícil supor que a transição entre o ambiente privado (a família) e o público (a escola) trará, para cada uma delas, sensações iniciais bastante diferentes.

No caso da primeira criança, gestos leitores (olhar a capa de um livro, folheá-lo, escutar atentamente a leitura em voz alta feita pela professora, entre outros) e gestos escritores (ver a professora escrevendo na lousa ou em cadernos, por exemplo) parecerão familiares e o fato de ela estar em um ambiente organizado intencionalmente para a sua aprendizagem lhe oferecerá novos desafios ajustados à sua capacidade de enfrentá-los. No caso da segunda criança, tudo será novidade. Diante desse contexto, embora algum grau de interesse possa ser suscitado, inseguranças diante do desconhecido podem vir à tona e desafios podem se transformar em grandes obstáculos.

Esta desigualdade, logo no ponto de partida da escolaridade, merece nossa máxima atenção não apenas porque todas as classes são heterogêneas, mas porque é possível criar condições para que cada um dos alunos se aproprie dos saberes estruturantes ao enfrentamento da vida escolar.

Crianças que têm boas oportunidades para desenvolver sua linguagem contam com mais ferramentas (vocabulário, expressões, conhecimento de estruturas sintáticas) para falar com maior precisão, compreender as leituras que ouvem, participar das conversas e atividades que se desenvolvem em sala (respondendo perguntas, fazendo descrições, dando explicações, recontando histórias), acompanhar explicações e tomar a palavra para expressar suas incompreensões.

A leitura e as conversas em torno dos textos são situações férteis para o desenvolvimento da linguagem. Por meio delas, as crianças têm a chance de conhecer os diversos usos e possibilidades que a língua materna oferece para narrar, explicar, descrever, definir, rimar.

A presença do professor como parceiro mais experiente é fundamental para a formação dos leitores: além de apresentar e interpretar aquilo que está escrito, ele conhece o caminho, ou seja, pratica socialmente atos de leitura em seu cotidiano com propósitos diversos – lê para saber o que acontece no mundo, para obter informação específica, para se divertir, para saber mais sobre determinado assunto, para se encantar, para realizar algum procedimento, para viajar por outros tempos e lugares, para confortar a alma e tantos outros.

A leitura feita em voz alta pelo professor permite que os alunos observem que o texto é sempre um convite: ao riso, à indignação, à seriedade, à comoção, à descoberta, à beleza, à ampliação e às associações. A progressiva construção de intimidade com a cultura escrita favorece que os alunos, mesmo muito antes de saberem ler convencionalmente, arrisquem hipóteses sobre o que a escrita representa porque vão, aos poucos, percebendo certas regularidades.

Ao observarem e escutarem as leituras feitas por sua professora, os alunos têm a chance de aprender como manejar e como transitar pelos vários textos em seus diferentes suportes (livro, jornal, carta etc.), o que lhes abre as portas da construção de sentidos para os diferentes gêneros.

No vídeo Biblioteca Escolar e Literatura Infantil, você verá que quando a biblioteca e o canto de leitura são pensados de forma acolhedora, atrativa e organizada, a cultura escrita tem possibilidade de se apresentar do mesmo modo com que se estabeleceu historicamente – em voz alta, silenciosa, teatralizada, seguida de conversa sobre o texto ou sobre aspectos da escrita. Confira:

 

No vídeo, encontramos também as práticas que envolvem os familiares. Elas permitem a reflexão sobre o como ler (escolha do texto, preparação da leitura e planejamento da conversa sobre o texto) e nos instigam a pensar na importância do manuseio dos livros pelos pequenos, mesmo quando sua pouca experiência os leva, eventualmente, a rasgá-los.

 

Biblioteca: o coração da escola


Para formar bons leitores, o livro tem que ser uma presença constante na vida da criança. Por isso, no Alfaletrar, as bibliotecas das escolas são consideradas “o coração do projeto”. Elas garantem aos alunos a oportunidade de estar em contato com textos de qualidade e de autores reconhecidos. Além destes, também é importante que o acervo disponha de revistas, jornais, gibis, CDs, folhetos de gêneros diferentes, jogos, fantoches etc.

No início do projeto, nem sequer havia biblioteca nas escolas de Lagoa Santa. Por essa razão, implantá-las em todas as escolas e formar um bom acervo foi uma das primeiras ações do Alfaletrar no município. O Núcleo de Alfabetização e Letramento teve papel fundamental nesse processo, pois promoveu intensa troca de ideias, em que cada escola refletiu sobre a melhor forma de organizar sua biblioteca. As professoras fizeram painéis com bolsões para expor os livros, confeccionaram as almofadas, discutiram sobre como arranjar o espaço e decidiram quais seriam as regras de funcionamento e a política de empréstimo dos livros.

Aos poucos as bibliotecas foram se tornando um ambiente vivo e promotor de diversas atividades que contribuem para a formação de bons leitores. As professoras, juntamente com os alunos, divulgam os livros novos, desenvolvem a hora do conto, realizam sarau de poemas e jograis, fazem leituras dramatizadas etc.

No Alfaletrar é sempre um(a) professor(a) que está à frente da biblioteca. Seu perfil é o de alguém que conhece bem o acervo e gosta muito de literatura. Assim, por meio das atividades que desenvolvem, consegue levar as crianças a também amarem os livros. O(a) professor(a), envolvendo os alunos, também organiza os livros da biblioteca ou do Cantinho de Leitura por meio de etiquetas para os diferentes gêneros textuais. Clique aqui para conhecer essas etiquetas.

Veja, a seguir, uma sugestão de como organizar a biblioteca da escola:

Alfabetização

O outro lado da moeda


Os conceitos de letramento transformaram as práticas pedagógicas privilegiando, na sala de aula, o uso da língua oral e escrita em situações reais de comunicação. Isso, com certeza, colaborou para que se compreendesse para que a escrita serve. No entanto, quando se orienta a ação pedagógica para o letramento, não quer dizer que se deva descuidar do trabalho específico com o sistema de escrita. O fato de valorizar, em sala de aula, os usos sociais da língua escrita, não implica deixar de tratar sistematicamente da dimensão especificamente linguística do “código”. Desse modo, ao mesmo tempo em que a criança vai sendo alimentada com um rico universo de textos, desafios relativos à representação dos sons da fala em grafia vão sendo apresentados a ela.

Para se alfabetizar é preciso dominar as letras, ou seja, conhecer sua dimensão gráfica e sonora. Para isso concorrem três processos evolutivos de conhecimento que se desenvolvem ao mesmo tempo. Os professores precisam compreendê-los para planejar um ensino cada vez mais ajustado às necessidades das crianças.

No vídeo a seguir, Magda Soares nos mostra como três desenvolvimentos – o psicogenético, o conhecimento das letras e a consciência fonológica – precisam se colocar em movimento de forma articulada durante o processo de alfabetização.

 

O vídeo acima traz à tona uma ideia fundamental: as intervenções do professor precisam partir do que o aluno já sabe para fazê-lo pensar sobre algo que ele ainda não sabe sozinho, mas está perto de descobrir se tiver a ajuda de um parceiro mais experiente.

 
Continue a leitura para conhecer mais a fundo os três desenvolvimentos que integram o processo de alfabetização. Como vimos, são eles:

Desenvolvimento psicogenético: uma palavra, muitas representações


A psicogênese da língua escrita entende que a aprendizagem da leitura e da escrita vai além da sala de aula, sendo marcada também por variáveis político-econômicas, pelas interações sociais, pelas experiências culturais. Com base nesse postulado, se dedica a observar processos mentais, analisando e sistematizando os caminhos cognitivos e linguísticos que as crianças seguem na descoberta e na construção do que é a escrita como sistema de representação.

O trabalho de Magda Soares, nos estudos acadêmicos e no Núcleo de Alfabetização e Letramento de Lagoa Santa (MG), parte desses pressupostos e se fundamenta também nas pesquisas das psicolinguistas Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Elas mostraram que as crianças exercem um papel ativo no processo de alfabetização na medida em que criam hipóteses para entender o sistema de escrita alfabético. Essas hipóteses apontam para um percurso de aprendizagem que ocorre gradualmente e em uma série de etapas com características específicas.

Para conhecer um pouco mais das fases que compõem o processo de construção da compreensão do sistema de escrita alfabética, clique na imagem abaixo e acesse o infográfico interativo “Aprendizado inicial da escrita: uma proposta de sistematização”, produzido pela professora Magda Soares para a Plataforma do Letramento.


A sistematização e a compreensão de cada uma das etapas é de extrema importância para o trabalho de alfabetizadores, mas vale destacar aqui que todo esse processo de aprendizagem não é uniforme; ao contrário, trata-se de um percurso dinâmico em que é possível, por exemplo, que uma criança “pule” uma das etapas, ou que transite por mais de uma etapa ao mesmo tempo. Cabe ao educador, portanto, muita sensibilidade para apoiar cada aluno de acordo com suas especificidades e necessidades.

Os exemplos que aparecem no vídeo Psicogênese da Língua Escrita ajudam a entender algumas das dificuldades pelas quais passam os alunos quando estão às voltas com o processo de descobrir o sistema de representação da escrita. Confira abaixo.

 

No vídeo acima vimos, por meio do exemplo do desenvolvimento de Welington, que as crianças passam por um longo processo até conseguirem compreender o que a escrita representa e como funciona o sistema alfabético de escrita. Daqui para frente você poderá entender as principais características de cada uma dessas fases.

Assista ao vídeo Desenvolvimento Psicogenético: Icônica, Garatuja e Pré-silábica para aprofundar seus conhecimentos sobre a fase pré-silábica.

 

Por meio das explicações da professora Magda Soares nos vídeos acima, pudemos entender que, na fase pré-silábica, as crianças passam por diversas etapas: no início, acreditam que escrever é desenhar (fase icônica) ou tentam imitar a escrita em letra cursiva (garatuja). Aos poucos, vão comprendendo que para escrever utilizam-se letras, e apenas letras. À medida que essa compreensão avança, param de produzir escritas em que se misturam números, letras e ícones.

Nessa fase, além dessa compreensão, as crianças constroem também algumas hipóteses: que não se pode escrever com menos de três letras (exigência mínima de letras); que palavras diferentes se escrevem de forma diferente (variação de letras entre as palavras ou variação interfigural); e que é necessário variar as letras dentro de uma mesma palavra (não repetem a mesma letra, uma após a outra, dentro de uma mesma palavra – chamada de variação intrafigural).

No vídeo abaixo, você poderá compreender as fases silábicas sem valor sonoro e silábica com valor sonoro. Nessa etapa, as crianças compreendem que a escrita representa a fala e passam a utilizar uma letra para representar cada sílaba falada. Aos poucos, passam a utilizar letras cujo som corresponde ao valor convencional da sílaba representada. Confira:

Finalmente, na fase silábico-alfabética, a criança passa a entender que não basta uma só letra para representar uma sílaba e começa a produzir escritas em que, ora escreve atribuindo uma letra para cada sílaba, ora representa os fonemas. Quando avança para a hipótese alfabética, a criança já entendeu o funcionamento do sistema alfabético de escrita, compreendendo que cada um dos caracteres da palavra corresponde a um valor sonoro menor que a sílaba, faltando, a partir daí, dominar as convenções ortográficas.

Acompanhe essa evolução no vídeo Fase Silábico-alfabética e Alfabética, disponível a seguir:

Conhecimento das letras


O conhecimento das letras e dos sons contribui para o avanço do desenvolvimento psicogenético, pois apoia a consciência silábica. Como veremos a seguir, algumas letras ajudam mais que outras nesse sentido – é o caso do "B", do "C", do "D" e de todas aquelas cujo nome inclui o fonema que representam.

O trabalho necessário com a discriminação visual e com a explicitação das diferenças entre letras semelhantes é um dos aspectos que deve ser destacado.

Outra questão importante diz respeito à diferença entre propor a escrita de próprio punho e propor a escrita com letras móveis. Isso porque, para a criança, a letra não é, inicialmente, um símbolo que representa um som, ela é um objeto. Assim, dependendo da posição, um "b", por exemplo, pode ser "d", "p" ou mesmo um "q".

Para avançar nessa reflexão, assista ao próximo vídeo. Nele, será possível observar que o trabalho com letras é bem mais complexo do que comumente se imagina.

Consciência fonológica


Por meio da palavra falada e escrita damos significado e sentido ao mundo. Mas, para compreender o princípio alfabético, que registra os sons das palavras e não o seu significado, precisamos analisar os sons e sua representação por meio das letras. Quando prestamos atenção à grafia de palavras, relacionando-as aos sons, percebemos semelhanças, descobrimos possibilidades de permutar, trocar, acrescentar ou suprimir letras e sílabas e, assim, compor outras palavras.

Quando a consciência fonológica foi suficientemente desenvolvida é hora de investir na consciência fonêmica. O confronto entre fonemas presentes em palavras semelhantes e formadas por sílabas canônicas (consoante seguida de vogal) é uma das atividades que podem ajudar as crianças a refinar a percepção dos sons e das letras que os representam.

Fique atento ao vídeo Consciência Fonológica – Fases Pré-fonológica e Fonológica, disponível abaixo. Ao assistir, você poderá compreender que a fase pré-fonológica corresponde à etapa em que a criança ainda não compreendeu que a escrita representa o som (fase pré-silábica). Compreenderá também que a fase fonológica corresponde ao período silábico, no qual a criança desenvolve a consciência fonológica, ou seja, compreende o que a escrita representa.

 

O vídeo Consciência Fonológica nos mostra que, durante o processo de alfabetização, a criança vai se dando conta de que a escrita representa o som da fala. Na medida em que a criança refina sua percepção dos sons que compõem a palavra, evolui em suas hipóteses de escrita silábica para silábico-alfabética e alfabética.

Por que estudar o sistema de escrita alfabético?


Um dos objetivos do Projeto Alfaletrar é o ensino explícito das relações fonema-grafema. Tais relações têm níveis diferentes de complexidade. Algumas são mais simples, por exemplo, as sílabas canônicas (consoante/vogal = CV); outras têm padrões silábicos mais complexos, como: CCV (consoante/consoante/vogal); CVC; CCVC etc.; outras, ainda, apresentam uma dificuldade maior para serem aprendidas.

Partindo desse pressuposto é importante que o professor planeje atividades de leitura e de análise das sílabas seguindo a sequência do mais simples para o mais complexo.

A seguir, você poderá ter uma ideia de como o sistema alfabético de escrita foi sendo construído pela humanidade. Também terá oportunidade de navegar pelos quadros elaborados por Magda Soares para subsidiar o trabalho com as características dos padrões silábicos.

A escrita, desde a mais remota era, sempre esteve em contínuo movimento. Ainda assim, levou muito tempo para a humanidade construir o Sistema Alfabético de Escrita.

Antes deste, muitos outros foram inventados: os pictográficos, os ideográficos, os logográficos, os signos com valor silábico...

Até que as sílabas se segmentaram em fonemas, nascendo, assim, a escrita alfabética. Tal evolução ocorre pela busca de um modo cada vez mais econômico e preciso de se alcançar a comunicação eficiente.

Por isso, vale sempre lembrar que o sistema não é linear e continuará se modificando. É só observar, por exemplo, os diferentes sinais que têm surgido na comunicação via internet.

O Sistema de Escrita Alfabético e as normas ortográficas em vigor nesse momento da história precisam ser construídos pelas crianças até que elas compreendam de que maneira as letras e os outros sinais se combinam. Só assim poderão se comunicar eficientemente pela escrita.

 

As relações entre os fonemas e grafemas na ortografia do português brasileiro se organizam em uma complexidade crescente, segundo as tabelas abaixo. Clique nos boxes a seguir para acessá-las.

Vogais

Uma vogal representa diferentes fonemas.

Relações biunívocas

O grafema representa um fonema, e apenas um grafema.

Regularidades contextuais I

Uma consoante representa diferentes fonemas, segundo o contexto.

Regularidades contextuais II

Um fonema representado por diferentes grafemas, segundo o contexto.

Relações irregulares

Um fonema representado por diferentes letras, em posições idênticas.

 

Você pode se orientar pelas tabelas acima para planejar o ensino de uma forma explícita, apresentando as palavras também numa ordem crescente de dificuldade.

 
 

Paralelamente ao ensino explícito, as crianças também participam de outras atividades, como as escritas espontâneas, nas quais, em interação com o professor e seus colegas, “descobrem” as relações fonema/grafema que não obedecem, nem precisam obedecer, nessa fase, à sequência proposta nas tabelas acima.

Jogos e atividades


Há muitas atividades que o professor pode realizar para ajudar a criança a construir a consciência fonológica e o conhecimento das letras, entre elas: jogos de linguagem, brincadeiras cantadas, trabalho com parlendas, quadrinhas, trava-línguas e poemas.

Quanto mais a criança puder brincar com os sons das palavras, principalmente com as rimas, articulando-as com situações de leitura e de escrita, mais facilmente compreenderá que as letras representam os sons e, dessa forma, poderá avançar de uma hipótese à outra sobre o sistema de escrita alfabético.

 

Por isso, é fundamental para a aprendizagem inicial da leitura e da escrita promover atividades de alfabetização que retiram palavras de seus contextos para serem analisadas em seus aspectos sonoros e gráficos.

As professoras do Núcleo de Alfabetização e Letramento desenvolveram alguns procedimentos e jogos como parte da ação pedagógica e didática com seus alunos e nas circunstâncias reais em que trabalham. Essas atividades são organizadas e apresentadas em exposições que são realizadas duas vezes por ano em Lagoa Santa (MG). Assim, as professoras das escolas do município (e até de municípios vizinhos) podem trocar experiências e compartilhar essas atividades entre si. Veja, a seguir, algumas cenas dessas exposições.

Uma das estratégias que contribuem para que a criança construa a compreensão do sistema de escrita é a "Atividade das Casinhas". Ela é adequada para crianças que tenham atingido algum nível de consciência fonológica e que estejam pelo menos no nível silábico. Clique aqui para conhecer as etapas necessárias para o desenvolvimento do procedimento e observe como a atividade colabora para a identificação de fonemas e sua respectiva relação com letras.

Você compreenderá o que é e como funciona a Atividade das Casinhas, assistindo ao vídeo a seguir.

 

Conheça agora alguns dos diversos jogos elaborados pelas professoras do Núcleo de Alfabetização e Letramento em Lagoa Santa (MG). Navegue pelas categorias e clique nos títulos dos jogos para conhecer as regras correspondentes a cada um.



Lé com Cré

Jogos sobre rimas


Zumbido Sabido

Jogos sobre consciência dos sons


De A a Z

Jogos sobre conhecimento das letras


De pedaço em pedaço

Jogos sobre formação de sílabas e palavras


Lotoleitura

Jogos sobre leitura de palavras