O projeto

Magda

O Alfaletrar nasceu em 2007, da parceria entre a professora emérita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Magda Soares, e a Secretaria de Educação do Município de Lagoa Santa (MG). Envolve todas as escolas da rede, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I, e tem como objetivo oferecer a todas as crianças as condições necessárias para prosseguirem com sucesso em sua escolarização e, sobretudo, para se apropriarem de competências indispensáveis à plena inserção na vida social e profissional: competências de leitura e de produção textual.

ALFALETRAR é um verbo criado especialmente para expressar a concepção de ensino que fundamenta o Projeto:

Alfaletrar
Alfaletrar

Núcleo de Alfabetização e Letramento


Preocupada com a formação inicial oferecida aos professores pelas universidades e redes públicas de ensino e com a distância entre essa formação e a prática realizada nas escolas, Magda criou o Núcleo de Alfabetização e Letramento, em parceria com técnicos e professores da rede municipal. Por meio dele, tem sido possível aproximar a reflexão teórica da realidade de sala de aula, discutir metas, trocar experiências e sistematizar conteúdos, o que tem proporcionado melhoria real nos índices de aprendizagem.

O grupo, formado pela professora representante de cada escola e coordenado por Magda Soares, se reúne semanalmente. Nesses encontros, os professores refletem sobre a prática, compreendem as teorias que a embasam e estabelecem metas específicas para cada ano escolar, construindo, assim, um currículo vivo e em ação.

Momentos de formação do Núcleo de Alfabetização e Letramento em Lagoa Santa (MG). Clique nas imagens para ampliar.

O papel da representante é de extrema importância para a formação de uma cultura de rede. Isso porque ela não só participa dos encontros do Núcleo como também organiza reuniões em sua própria escola, ampliando as discussões e promovendo o desenvolvimento profissional de todos os professores. Tem-se, dessa forma, uma cadeia que abrange a rede inteira e que já alcança um número expressivo de envolvidos:


No vídeo Cultura de Rede, você poderá entender a organização do Núcleo de Alfabetização e Letramento, e conhecerá os princípios de continuidade, integração, sistematização e acompanhamento, nos quais o Projeto está fundamentado.

Para dar unidade ao trabalho, uma das primeiras providências do Núcleo foi criar um currículo para a rede municipal de Lagoa Santa. Ele define as metas que devem ser alcançadas na aprendizagem da leitura e da escrita entre a Educação Infantil e o 5º ano do Ensino Fundamental I. Com isso, os professores passaram a ter uma visão ampla de todo o processo e a ter clareza de como se dá a progressão dos conteúdos ao longo dos anos.

“Hoje, na rede, você pode trabalhar na periferia ou no centro: o trabalho é o mesmo porque já tem um caminho definido. Tem particularidades, mas o trabalho é um só.”

Valdirene Pereira, professora de Lagoa Santa (MG)

Veja, clicando no vídeo abaixo, como as metas definidas no currículo de Lagoa Santa são fundamentais para guiar e “costurar” todo o trabalho desenvolvido com os alunos.

Essas metas, que fundamentam o currículo, são baseadas no desenvolvimento das habilidades que as crianças devem desenvolver. Além disso, são garantidas pela articulação com os resultados dos diagnósticos colhidos periodicamente em toda a rede, por meio de instrumentos que são elaborados e analisados pelos próprios professores e supervisionados por Magda Soares. Com base nesses princípios, o Projeto permite que as etapas do trabalho sejam constantemente reavaliadas e readaptadas, de modo que os educadores tenham domínio de todo o processo.

 

Metodologia

Metodologia


A primeira providência do projeto Alfaletrar em Lagoa Santa foi a construção do currículo de língua portuguesa para a rede (do Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental). No projeto ele é entendido como formulação de metas, ou seja, expectativas de aprendizagem. Elaboradas inicialmente por Magda Soares, essas metas foram amplamente discutidas com os professores que, por sua vez, sugeriram acréscimos e/ou mudanças, muitas vezes propondo que algumas fossem antecipadas ou trabalhadas em anos mais à frente.

Para organizar o currículo foi necessário compreender as diversas facetas que compõem a aprendizagem da escrita: a interativa, a sociocultural e a psicolinguística. Embora cresçam simultaneamente e atuem de forma integrada nas situações em que os atos de ler e escrever são reais, para efeito didático foi necessário iluminar as especificidades de cada faceta e propor, para cada uma delas, ações pedagógicas diferenciadas. Esse é o motivo pelo qual o currículo foi organizado por componentes, sendo que, para cada um deles, há metas e descritores elencados. Dessa forma, o professor pode enxergar com clareza os conteúdos a serem trabalhados em cada ano, bem como a sua progressão ao longo dos anos escolares.

A fim de acompanhar se as metas estão ou não sendo alcançadas, o Núcleo de Alfabetização e Letramento realiza, em três momentos do ano letivo, diagnósticos da aprendizagem, por meio de instrumentos de avaliação para todos os anos. Poder olhar para os resultados obtidos de forma integrada possibilita comprometer toda a rede com a continuidade da aprendizagem.

Para compreender melhor essa metodologia, acompanhe o infográfico a seguir. Por meio dele você terá acesso ao modo geral de organização do currículo, e acompanhará o diagnóstico dos componentes Tecnologia da Escrita e usos pessoais e sociais da leitura e da escrita , podendo observar a progressão de uma das metas de cada um deles, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Do Currículo à Avaliação

Componentes

COMPONENTES

O Currículo de Alfabetização e Letramento é composto por sete componentes, conforme você pode ver ao lado. Clique nos itens para saber mais.

Dentre esses componentes,
iluminamos dois
para exemplificar como funciona a organização de metas e descritores.
Acompanhe.

Tecnologia da escrita

Usos pessoais e sociais da leitura e da escrita

Componentes

Cada componente é composto por várias metas, que definem o que toda a criança tem o direto de aprender em cada fase de seu desenvolvimento. Veja, ao lado, o exemplo de algumas metas relativas a dois dos componentes.

Destacamos aqui

as metas que aqui serão detalhadas
em descritores.

Usar a separação entre as palavras na escrita.

Entender a organização dos livros da biblioteca e
zelar por ela.

Compreender o significado dos sinais de pontuação.

Reconhecer portadores em que a ordem alfabética é usada.

Conhecer o alfabeto.

Reconhecer o lugar de inserção de determinada letra, em portador de texto em que a ordem alfabética é usada.

Componentes

DESCRITORES

Para essas metas, há diversos descritores que explicitam as habilidades que serão desenvolvidas, em progressão, ao longo da escolaridade.

Conhecer a ordem alfabética.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª letra.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª e 2ª letras.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª, 2ª e 3ª letras.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base nas 1ª, 2ª e 3ª letras.

Componentes

INSTRUMENTOS DE DIAGNÓSTICO

Clique nos ícones acima para acessar os instrumentos correspondentes a cada ano escolar.

Cada um desses descritores é avaliado por uma atividade específica, para saber se o aluno atingiu ou não as metas esperadas.

Item 5

Tabela para Acompanhamento da Turma

Clique para acessar

Os instrumentos de diagnóstico permitem ao professor construir uma tabela de acompanhamento contendo informações sobre todos os estudantes da turma. Por meio dela, é possível observar como cada aluno está em relação à meta avaliada, além de ter uma visão da turma como um todo.

A partir de uma análise cuidadosa pode-se monitorar o que já aprenderam, o que está em processo, e o que ainda não foi aprendido. Com isso, é possível planejar intervenções para que todos os alunos alcancem as metas esperadas.

Acesse, ao lado, um exemplo de tabela para acompanhamento da turma, e observe as diferentes cores utilizadas: a cor verde marca as metas já alcançadas, a vermelha aponta o que ainda não foi atingido e a amarela assinala que a meta está em processo de desenvolvimento.

Item 5

Tabela para Acompanhamento da ESCOLA

Clique para acessar

Os resultados das turmas de um mesmo ano escolar são reunidos em uma tabela, pela representante da escola no Núcleo de Alfabetização e Letramento. Posteriormente são analisados por todos os professores da escola para, juntos, avaliarem quais metas foram atingidas e quais precisam ser revistas. A partir desses dados, os professores replanejam a sua prática. Confira um exemplo de tabela da escola, disponibilizado aqui.

Item 5

GRÁFICO DA REDE

Clique para acessar

Finalmente, os resultados das tabelas de cada ano, de todas as escolas, são reunidos em um único gráfico da rede. Esse gráfico é analisado pelo Núcleo de Alfabetização e Letramento.

Caso se observe um problema com uma das metas, são realizadas discussões para entender o que pode estar acontecendo, ou seja, por quais motivos aquela meta não está sendo alcançada.

Levantam-se hipóteses e, em grupo, planejam o que fazer a partir de uma análise cuidadosa. Num movimento contínuo de ação/reflexão/ação, as questões identificadas são levadas para discussões nas escolas e servem de base para o replanejamento. Nesse retorno, cada escola pode avaliar o seu desempenho frente à rede. Clique e conheça o gráfico da rede.

Percorrido todo processo, pode-se observar de que maneira o diagnóstico permite ao professor analisar se os alunos estão ou não alcançando as metas esperadas, e como cada um está em relação à turma. Possibilita, ainda, perceber como está sua turma em relação ao mesmo ano de sua escola e aos mesmos anos da rede.

Para o coordenador, as tabelas possibilitam notar como vai cada ano de sua escola e como ela está em relação às outras.

Para a Secretaria de Educação, o gráfico ajuda a acompanhar, com clareza, o desenvolvimento de toda a rede, turma por turma, ano por ano, escola por escola. Favorece a identificação das dificuldades mais recorrentes e a sistematização das soluções encontradas.

A primeira providência do projeto Alfaletrar em Lagoa Santa foi a construção do currículo de língua portuguesa para a rede (do Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental). No projeto ele é entendido como formulação de metas, ou seja, expectativas de aprendizagem. Elaboradas inicialmente por Magda Soares, essas metas foram amplamente discutidas com os professores que, por sua vez, sugeriram acréscimos e/ou mudanças, muitas vezes, propondo que algumas fossem antecipadas ou trabalhadas em anos mais adiantados.

Para organizar o currículo foi necessário compreender as diversas facetas que compõem a aprendizagem da escrita: a interativa, a sociocultural e a linguística. Embora cresçam simultaneamente e atuem de forma integrada nas situações em que os atos de ler e escrever são reais, para efeito didático foi necessário iluminar as especificidades de cada faceta e propor, para cada uma delas, ações pedagógicas diferenciadas. Esse é o motivo pelo qual o currículo foi organizado por componentes, sendo que, para cada um deles, há metas e descritores elencados. Dessa forma, o professor pode enxergar com clareza os conteúdos a serem trabalhados em cada ano, bem como a sua progressão ao longo dos anos escolares.

Para acompanhar se as metas estão ou não sendo alcançadas, o Núcleo de Alfabetização e Letramento realiza, em três momentos do ano letivo, diagnósticos da aprendizagem, por meio de instrumentos de avaliação para todos os anos. Poder olhar para os resultados obtidos de forma integrada possibilita comprometer toda a rede com a continuidade da aprendizagem.

Para compreender essa metodologia, acompanhe o infográfico a seguir. Por meio dele você terá acesso ao modo geral de organização do currículo, e acompanhará o diagnóstico do componente Tecnologia da Escrita, podendo observar a progressão de uma de suas metas, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Do Currículo à Avaliação

Componentes

COMPONENTES


O Currículo de Alfabetização e Letramento é composto por sete componentes, conforme você pode ver ao lado. Clique nos itens para saber mais.

Entre esses componentes,
iluminamos dois para exemplificar como funciona a organização de metas e descritores. Acompanhe.

Componentes

METAS

Cada componente é composto por várias metas, que definem o que toda criança tem o direto de aprender em cada fase de seu desenvolvimento.

Veja o exemplo de algumas metas relativas a dois dos componentes.

Tecnologia da escrita

Componentes

Usos pessoais
e sociais da leitura e da escrita

Componentes

Usar a separação entre as palavras na escrita.

Entender a organização dos livros da biblioteca e
zelar por ela.

Compreender o significado dos sinais de pontuação.

Reconhecer portadores em que a ordem alfabética é usada.

Conhecer o alfabeto.

Reconhecer
o lugar de inserção de determinada letra, em portador de texto, em que
a ordem alfabética é usada.


Destacamos aqui as metas que serão detalhadas em descritores.

Componentes

DESCRITORES

Para essas metas, há diversos descritores que explicitam as habilidades que serão desenvolvidas, em progressão, ao longo da escolaridade.

Conhecer a ordem alfabética.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª letra.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª e 2ª letras.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª, 2ª e 3ª letras.

Reconhecer o local de inserção de determinada palavra, em portador, em que a ordem alfabética é usada – com base na 1ª, 2ª e 3ª letras.

Componentes

INSTRUMENTOS DE DIAGNÓSTICO

Cada um desses descritores é avaliado por uma atividade específica, para saber se o aluno atingiu ou não as metas esperadas.

Clique no ícone ao lado para acessar os instrumentos referentes aos descritores vistos acima do 1ª ao 5ª ano.

Item 5

TABELA PARA ACOMPANHAMENTO DA TURMA

Os instrumentos de diagnóstico permitem ao professor construir uma tabela de acompanhamento contendo informações sobre todos os estudantes da turma. Por meio dela, é possível observar como cada aluno está em relação à meta avaliada, além de ter uma visão da turma como um todo.

A partir de uma análise cuidadosa pode-se monitorar o que já aprenderam, o que está em processo, e o que ainda não foi aprendido. Com isso, é possível planejar intervenções para que todos os alunos alcancem as metas esperadas.

Acesse, abaixo, um exemplo de tabela para acompanhamento da turma, e observe as diferentes cores utilizadas: a cor verde marca as metas já alcançadas, a vermelha aponta o que ainda não foi atingido e a amarela assinala que a meta está em processo de desenvolvimento.

Item 6

TABELA PARA ACOMPANHAMENTO DA ESCOLA

Os resultados das turmas de um mesmo ano escolar são reunidos em uma tabela, pela representante da escola no Núcleo de Alfabetização e Letramento. Posteriormente são analisados por todos os professores da escola para, juntos, avaliarem quais metas foram atingidas e quais precisam ser revistas. A partir desses dados, os professores replanejam a sua prática. Confira um exemplo de tabela da escola, disponibilizado aqui.

Item 7

GRÁFICO DA REDE

Finalmente, os resultados das tabelas de cada ano, de todas as escolas, são reunidos em um único gráfico da rede. Esse gráfico é analisado pelo Núcleo de Alfabetização e Letramento.

Caso se observe um problema com uma das metas, são realizadas discussões para entender o que pode estar acontecendo, ou seja, por quais motivos aquela meta não está sendo alcançada.

Levantam-se hipóteses e, em grupo, planejam o que fazer a partir de uma análise cuidadosa. Num movimento contínuo de ação/reflexão/ação, as questões identificadas são levadas para discussões nas escolas e servem de base para o replanejamento. Nesse retorno, cada escola pode avaliar o seu desempenho frente à rede. Clique e conheça o gráfico da rede.

Percorrido todo processo, pode-se observar de que maneira o diagnóstico permite ao professor analisar se os alunos estão ou não alcançando as metas esperadas, e como cada um está em relação à turma. Possibilita, ainda, perceber como está sua turma em relação ao mesmo ano de sua escola e aos mesmos anos da rede.

Para o coordenador, as tabelas possibilitam notar como vai cada ano de sua escola e como ela está em relação às outras.

Para as secretarias de Educação, o gráfico ajuda a acompanhar, com clareza, o desenvolvimento de toda a rede, turma por turma, ano por ano, escola por escola. Favorece a identificação das dificuldades mais recorrentes e a sistematização das soluções encontradas.

A equipe

 

Magda Soares, por Antônio Augusto Gomes Batista


Magda

Me pedem para apresentar Magda. Não é tarefa simples, tanto por nossa proximidade (fui seu orientando e colaborador; temos uma amizade estreita e delicada) quanto pela complexidade e singularidade de sua carreira.

Há coisas fáceis de dizer, que podem ser encontradas em qualquer resumo de sua carreira. Mas elas terminam por dizer pouco: é a grande especialista brasileira em alfabetização e no ensino de Português, assim reconhecida nacional e internacionalmente. Vem publicando trabalhos fundamentais para a compreensão e o enfrentamento desses dois grandes problemas que insistem em nos desafiar quase que desde sempre ao longo de nosso história: nosso fracasso em alfabetizar, em desenvolver as capacidades de leitura e escrita, em favorecer o uso da norma culta à violência simbólica que habitualmente acompanha seu ensino. Qual leitor encontrará também que ela deu aulas nos mais diferentes níveis de ensino; orientou gerações de pesquisadores; escreveu livros didáticos que transformaram o gênero, importantes e densas obras que iluminaram o campo da pesquisa – e sempre considerando esses diferentes tipos de produção de igual relevância (ao contrário dos “contadores”, que fazem o balanço da produção acadêmica e consideram o primeiro tipo de trabalho uma moeda sem valor).

Não é só a riqueza, o rigor, a extensão e a amplitude do trabalho de Magda B. Soares que permitem entender seu trabalho. Não é a obra que vem realizando, mas o modo como a realiza, como a produz. Pode-se abdicar de encontrar uma coerência interna, um tema central que marca sua especialidade. O caminho de Magda não é retilíneo, uma contínua aproximação de uma suposta verdade. Sem cinismo, mas com o realismo de quem se aprofunda num determinado tema, ao por, com muita dificuldade, um ponto final num trabalho, Magda sempre pensa a respeito de suas conclusões: “sim, é isso”, mas acrescenta, “ou vice-versa”.

Eu acredito que isso se deva a uma característica rara em nosso meio acadêmico atual. Embora certamente Magda tenha suas afinidades com alguns pensadores, nunca adotou um quadro teórico no interior do qual trabalha como se estivesse num regime de verdade. Possui, evidentemente, um conjunto de pressupostos que sustentam seu trabalho, mas são de natureza epistemológica, ética e política mais gerais. Esses pressupostos são ligados à necessidade de ação – pois ela está, assim como nós – num campo voltado para a ação e para a ação justa – a Educação. Magda se preocupa em resolver problemas educacionais e de ensino-aprendizado guiada por princípios como o da equidade e da justiça. Desses problemas é que surgem suas perguntas de pesquisa, e não de lacunas de um quadro teórico.

É em função dessas perguntas que os quadro teóricos serão selecionados, desde que adequados aos pressupostos mais gerais e desde que se mostrem ricos o suficiente para gerar respostas que auxiliarão na busca de soluções para os problemas. É nesse jogo também que lacunas nos quadros teóricos poderão ser encontradas. O elemento central ou, melhor dizendo, essencial para todo esse processo são os dados empíricos: são eles, ainda em estudo bruto, que permitirão o levantamento de problemas e a formulação de perguntas. E são eles, fundamentalmente, que dirigirão: o confronto com diferentes quadros teóricos; a percepção de lacunas e insuficiências nesses quadros; e, como é constante em seus trabalhos, as sínteses que criam novas possibilidades teóricas e, simultaneamente, novas e inovadoras possibilidades de ação para a resolução dos problemas inicialmente diagnosticados.

Ecletismo, dizem muitos. Coerência extrema, digo eu: não só pela compreensão daquele que se estuda, mas, gostaria de destacar, pela posição de quem estuda e faz pesquisa no campo da Educação. Mesmo fazendo pesquisa teórica, o modo de proceder de Magda é sempre guiado por um interesse pedagógico nunca abandonado. Ela sabe que seu lugar, que sua posição é de uma educadora e, desse modo, que seu ponto de vista – e sabemos, há muito, que o ponto de vista do observador cria o objeto de pesquisa – é orientado por sua busca, como educadora para a resolução de problemas educacionais.

É estranho constatar que essa carreira – que deveria ser a regra entre pesquisadores e professores da área de Educação – surgiu também de uma trajetória de exceção. Numa Minas Gerais e numa Belo Horizonte dos anos 1940, católica e patriarcal, Magda é fruto de dois grandes rompimentos. O primeiro, familiar: enquanto até o final dos anos 1960 a Igreja controlava desde a leitura de livros à ida aos cinemas na Capital mineira, Magda foi fruto de uma educação metodista, que enfatiza o estudo da Bíblia e a formação de pontos de vista com base em fatos e na construção de argumentos. Em segundo lugar, preparando-se, assim como o pai (e depois se seguiram seu filho e neto) para ingressar na carreira de Física, momento em que encontrou uma grande professora de Português mineira, atuante ainda hoje: D. Ângela de Vaz Leão. É certo que só se prega aos convertidos, mas Magda quebrou essa cadeia de físicos professores universitários: tornou-se professora de Português, ingressou na rede pública, sem muito empenho da catedrática da UFMG; depois ingressou nesta Universidade que sempre considerou sua casa. Para dela não ser expulsa, pouco antes de completar 70 anos, pediu sua aposentadoria. Em vão: nas universidades, quando os demais professores não querem que alguém como Magda se vá, o tornam Professor Emérito para que, assim, possa fazer o que quiser.

Magda preferiu, ao cargo honorífico, voltar à escola básica. Primeiro, voluntariou-se para trabalhar como uma espécie de orientadora em uma creche num dos maiores conglomerados de Belo Horizonte, onde ficou alguns anos. Depois, aceitou um desafio maior: fazer – também sob o regime de voluntariado – que uma rede com baixos níveis de qualidade e equidade revertesse esse quadro. Era a rede de Lagoa Santa, na região metropolita de BH. Trabalha lá todas as semanas com as professoras: no início, as do ciclo de alfabetização; depois, também com as da educação infantil; agora, com todos os anos iniciais do ensino fundamental. Voltou ao início de carreira? Que nada. Acaba de lançar um livro a que vinha se dedicando há anos sobre a questão dos métodos na alfabetização.

Seus orientandos, por causa de um título de um artigo publicado por ela em 1984 ou 1985, gostávamos de brincar com ela usando sempre a palavra “faceta”, presente no título desse artigo. No livro, ela age como descrevi acima (“ou vice-versa”) e faz disso seu modo de proceder: “o problema tem essa faceta”; “analisando por essa faceta”, “chegamos a esta conclusão (...) mas há outra faceta”...

Magda é assim também: uma educadora, uma professora e pesquisadora complexa, de muitas “facetas”.

 

Equipe de Lagoa Santa (MG)


Renato Alves Veronezzi


Secretária Municipal de Educação

Magda Becker Soares


Coordenadora do Núcleo

Janair Cândida Cassiano


Técnica responsável pelo Núcleo na SEMED

Gilmara Aparecida Guimarães Diniz Duarte


Técnica de Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 na SEMED

Adelaide Silvana de Abreu Fernandes


E. M. D. SANTINHA

Ana Cláudia Saraiva Silva


E. M. SR. TITO

Catia Piedade Aurélio


E. M. ALBERTO SANTOS DUMONT

Claudinea do Rosário Silva Ferreira


CR. MENINO JESUS

Cristianae Peixoto Queiroz


CEI PADRE LIBÉRIO

Cristiane da Silva Batista


E. M. ODETE VALADARES

Edinara Rocha Matos Viana


CEI MARIA DOS ANJOS

Efigênia Lomasso Pinho


E. M. CEL. PEDRO VIEIRA

Eliana Pereira Araujo


E. M. DONA MARUCAS

Fernanda Aparecida dos Santos


E. M. LAPINHA

Fernanda Rodrigues Sodré de França


CEI ALAÍDE LISBOA

Gracilda Gomes de Almeida


E. M. MERCIA MARGARIDA e E. M. PROFESSORA CLAUDOMIRA

Janair Cândida Cassiano


E. M. ALBERTO SANTOS DUMONT

Lucinea Maria Gomes Righi


E. M. PROFESSORA CLAUDOMIRA

Luzenilce dos Santos Lopes


E. M. DONA ARAMITA

Margarete Brígida Ferreira Fernandes


E. M. ANTONIO CASTRO

Maria Helena Cardoso Chagas


E. M. DONA NANA

Mariane França Melo


E. M. DR. LUND

Mirlene Barcellos Teles


E. M. MERCIA MARGARIDA

Nilza Maria Contins


CR. N. SENHORA DE BELÉM e E. M. MELLO TEIXEIRA

Roberta Tereza Soares de Oliveira Cruz


E. M. HERCULANO LIBERATO DE ALM. e E. M. NILZA VIEIRA

Rosemaire Gomes Lima


E. M. MESSIAS PINTO ALVES

Sarah Fonseca Salomão


E. M. MARIA AUGUSTA


Equipe da Plataforma Alfaletrar


Maria Alice Setubal


Presidente do Conselho de Administração

Anna Helena Altenfelder


Superintendente

Maria Amábile Mansutti


Coordenadora Técnica

Antônio Augusto Gomes Batista


Coordenador de Pesquisa

Sônia Madi


Líder do Projeto

Alice Junqueira


Técnica do Projeto

Joyce Alcântara


Técnica do Projeto

Adriana Vieira


Responsável pelo Núcleo de Tecnologia e Educação

Jéssica Nozaki


Editora de web e designer instrucional

Regina Andrade Clara


Colaboradora

Quem somos

Apoio

Parceria

Iniciativa